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Contos antes das Dez – Dívida de Sangue

 

Neto já se preparava para o pior,  pois nem armado estava. Foi quando se ouviram sirenes lá fora (alguém havia chamado a polícia) e como Zequinha já tinha dívidas com eles achou melhor sumir dali. E guardando o revólver no cós da calça, lançou para Neto um olhar cheio de ódio.

– A gente ainda vai se “vê” por aí e quando isso acontecer se prepare porque eu vou te matar – e sumiu na escuridão dos fundos do bar.

Juba enquanto isso andava pelas bandas de Quixadá no Ceará. Passara a traçar secretamente um plano para se ver livre de Neto de uma vez para sempre. Na presença de outros se desfazia em sorrisos e elogios, que a um observador mais atento soariam estranhos. Mas como Neto não tinha mesmo maldade contra o primo, não esperava perigo vindo dele; o que se tornara perigoso para ele.

Juba quando soube do entrevero entre seu primo e o caminhoneiro Zequinha, achou aí a chance de talvez uma desforra. Informou-se sobre o valentão e quando soube que estava nessa mesma cidade onde se encontrava tratou de procurá-lo.

– Boa noite, amigo – saudou ele. Zequinha estava em um boteco fedido, destes as margens das estradas e de qualquer coisa boa. Tomava ele um café fumegante em um copo que não parecia ter sido bem lavado. A fumaça de tabaco vagabundo era inebriante naquele local.

– Eu o conheço? – respondeu sem erguer os olhos de suas reflexões.

– Dá licença de eu sentar ao seu lado?

Zequinha simplesmente deu de ombros como a dizer: “se faz questão”. Juba não se fez de rogado e puxando um tamborete sentou-se à mesa. Puxou do bolso um cigarro. O outro agora o fitava com um ar desconfiado. Então ele sentiu que já era hora de dizer a que tinha vindo. Acendendo o cigarro começou:

– Desculpe eu estar lhe incomodando, mas é que se comenta por aí que você teve uma “diferença” com um cara lá em Minas não é?

Zequinha já o olhava direto nos olhos, com um olhar frio e injetado; por dentro já se preparava para a ação. Juba percebe o mal- estar que causara e apressa-se em explicar:

– Não me leve a mal, é que eu também sou caminhoneiro e em nosso meio tudo se sabe não é mesmo? – disse isso e tentou sorrir, vendo se assim angariava a simpatia do outro.

Zequinha fechou ainda mais o cenho.

– Não vejo em que possa lhe interessar minha vida – disse secamente.

– Não me leve a mal – retorquiu Juba – é que eu conheço esse fanfarrão que lhe afrontou e também tenho umas diferenças a acertar com ele.

– Ah! sim?

– Pois é, eu já fui vítima das armações daquele “pulha’ e quero dar uma lição nele.

Zequinha olhava para Juba sem compreender direito o que ele queria. Do que conhecia das pessoas deduziu que ele não valia nada, era como se viesse escrito ali em sua testa. Por isso achou melhor despachar aquele sujo o quanto antes.

– Não vejo em que possa te ajudar – disse.

– Bem é que esse tal de Neto na verdade já me armou poucas e boas – e desandou a falar e mentir deslavadamente, contando a sua “pobre infância” onde Neto sempre o desprezara e dele se valia para responder por seus próprios delitos. Falou também do dinheiro roubado da oficina, em que fora injustiçado, ao passo que Neto mesmo sendo o “ladrão” ainda saíra como herói, e ele quase fora preso.

– Isso é para o senhor ver – continuou ele – é por isso que eu quero acabar com esse cabra, pensei que poderíamos juntar forças para acabar com esse “vil”.

Zequinha que nunca fora de gostar de homem, sentiu até certa simpatia por Neto. Imagine-se ter um primo desses.

– Olhe seu Juba eu tenho minhas diferenças com esse “cabra”, mas minhas “pendência” eu resolvo sozinho, agora se me dá licença… – apontou com a cabeça para o lado convidando o outro a sair.

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One Comment

  1. Bem link para a última parte de Divida de Sangue espero que tenham gostado. Por favor comentem após a última e divulguem para outras pessoas, obrigado. Após esse publicarei O SABIO https://jorgeluis30.wordpress.com/2009/01/05/ai-meu-povo-essa-e-a-ultima-parte-do-conto-espero-que-tenham-gostado-por-favor-coloque-seu-comentario-abaixo-da-postagem-breve-tera-mais/


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