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– Pois muito bem – diz Juba – eu resolvo esse caso do meu modo mesmo. – e apagando o cigarro na mesa e depois com a sola da bota, saiu na mesma em que chegou. Zequinha também achou que já era hora de ir descansar para pegar a estrada cedo. Ia com o caminhão para Amarante e ali já tinha outro frete para Rosário, ambas no estado do Maranhão. Seria preciso cruzar a metade do estado, não tinha tempo agora pra pensar em vingança. Suas contas com Neto ele acertaria quando tivesse oportunidade, mas do seu jeito sem pressa.Mal sabia ele que o destino já traçara um encontro entre os dois dali a pouco tempo.

A mãe de Neto pressentia algo de ruim rondando o filho. Nada sabia da rixa do filho, que achou melhor não preocupá-la ainda mais. Mas ela o conhecia bem, sabia que ele embora calmo, não levava desaforo para casa. E quando se enfezava, ninguém o segurava. Tinha pesadelos com Juba que tentava matá-lo e também com outro homem que ela não conhecia querendo fazer mal ao seu menino.

Ao chegar à cidade de Miranda do Norte com o caminhão carregado de açúcar, que levava para S. Luís, Neto decidiu procurar um lugar para se divertir um pouco. E depois de deixar o caminhão estacionado num posto de combustível, conversa com o frentista que lhe dá uma “dica”:

– A três ruas daqui o senhor dobre pra direita e depois à esquerda, e chega no “Retiro das Pulgas”. Neto estranhou o nome do lugar, mas queria mesmo uma companhia feminina, por isso agradeceu e rumou para lá. Quando se aproximava do local (cuidando-se sempre por conta das ruas desertas e mal iluminadas) o revólver do qual agora não se separava, estava ao alcance da mão. Nisso observa ele um vulto meio trôpego que vinha em sentido oposto e o qual reconhece assim que passa sob a luz de um dos poucos postes com lâmpada. Não era outro senão Zequinha que caminhava distraído e sozinho. Neto o esperou no meio da rua, disposto a acabar para sempre com aquela rixa entre eles.

Quando Zequinha o reconheceu já era tarde, Neto colocou-lhe o revólver no meio da cara assustada e o arrastou para um canto de uma casa mergulhada nas sombras.

– Então – disse Neto – nos encontramos de novo, dessa vez vamos acertar nossas contas de uma vez. Zequinha mesmo no escuro podia-se ver que empalidecera muito, a boca ficou seca, da garganta nenhum som.

Neto não estava para brincar, toda a raiva do último encontro voltou-lhe a mente. Ele sabia que se não acabasse com a vida do inimigo ali mesmo, viveria sempre com aquele sobressalto. Por isso engatilhou a arma e cutucou a fronte do outro. Tirando-lhe a arma e guardando-a consigo, ordenou:

– Vamos seu cabra, andando! – ele ia atrás de Zequinha, sempre lhe apontando o revólver para a cabeça. Zequinha tremia mais do que vara verde ao vento.

Neto o levou para um descampado já longe da cidade, onde ninguém ouviria nada.Disse ele:

– Olha vamos resolver essa rixa de uma vez. Você já me jurou de morte no passado e por isso eu tenho mesmo que te matar.

Zequinha abre a boca pela primeira vez e pede:

– Moço não me mate por favor, eu tenho filhos pequenos para criar. Naquele dia eu estava fora de mim, eu sei que estou em suas mãos, mas por favor me poupe a vida – implorou ele.

Neto mandou ele ficar de joelhos e apontou a arma pronto para disparar. Nessa hora sofre como que um baque e a mão parece que congela. Então num “flash” ele relembra tudo o que a mãe lhe ensinara, os valores morais que lhe passara através da vida. Mesmo sem ter estudado ela o tornara uma pessoa correta, e ele não poderia jamais matar alguém a sangue frio.

O outro aguardava de joelhos já sem esperanças; olhos cerrados esperando somente o som do tiro que lhe terminaria com a vida. Aproveitou para pedir a Deus que protegesse seus filhos e encomendou a alma. Como demorasse muito abriu os olhos devagar sem saber se estava vivo ou morto.

Ao seu redor apenas o silêncio quebrado agora pelo cricrilar dos grilos. Mas não sentiu mais medo somente uma grande paz, e teve certeza que estava a salvo. Arriscou um olhar para trás e viu o que já suspeitava: estava sozinho. Levantou-se olhou em volta e como não visse nada mesmo rumou rapidamente para a cidade, de onde decidiu partir imediatamente, mesmo sendo noite. Queria mesmo era estar bem longe dali quando amanhecesse. Quando chegou ao seu caminhão saiu às pressas dando adeus e nunca mais para a cidade… será que aprendera a lição?

E a vida segue e o tempo passa. Neto também segue sua vida. Depois de mais alguns meses já havia juntado algum dinheiro e decidiu largar a vida nas estradas para alívio de Dona Carmem. Voltou a estudar e queria cursar a faculdade para Engenheiro Mecânico.

Mas e Juba o que foi feito deste?

Um dia Neto vem caminhando por uma rua do centro de São Luís, distraidamente olhando o movimento dos transeuntes, quando passa ao lado de um caminhão com o capô aberto, que ele nem percebe ser de alguém conhecido e portanto não levanta a vista.

Pois lá em cima encarapitados no compartimento estão Juba e Zequinha que ao vê-lo passar dá um sorriso para consigo e… volta ao que estava fazendo sem que Juba percebesse nada.

FIM

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2 Comments

  1. Garoto… simplesmente MARAVILHOSOOOOOO Adorei viajar nessa história!!! Parabéns e continue que o caminho é todo seu….

  2. Jorge alem de poeta e um escritor. gostei muito bom , bom mesmo espero ler muitas outras parabens..


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