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O SÁBIO

O mestre Jonas era tudo de inusitado num sábio. Pra começar não era oriental como talvez fosse esperado.                      

Era negro como um pântano em noite de lua nova. Entretanto para quem passasse a conhecê-lo ele se tornaria “alvo” como uma peça de linho novo. Possuía uma idade indefinível como convém aos sábios. Faces serenas e firmes, carregava nos olhos uma paz como se fosse um oceano profundo.   

Trazia a cabeça completamente raspada,lisa e brilhante. Tinha estatura média, vestia roupas simples e sandálias ainda mais simples confeccionadas por ele mesmo a partir de pedaços de couro.                   

Não comia nada que carregasse sangue em seu interior. Dizia ele: “o sangue é a vida da criatura e pertence a Deus”. Alimentava-se de frutas, algumas raízes e ervas as quais conhecia como ninguém. Viajava pelas  cidades sempre em busca de mais conhecimento Mestre Jonas acreditava que para conhecer a Deus, precisava conhecer os homens. O velho mestre sabia que só através do amor e compreensão, o homem poderia desvendar os mistérios do universo.

Dizia ele:

– Todos os segredos que o homem busca, estão perto dele mesmo é porque buscamos no universo, bem distante de nós, o que o coração carrega a resposta, não encontramos. É por isso que vivemos confusos, e confusão nos afasta de nosso centro. O que gera mais confusão e angústia, isso não é bom.

Assim a fama de Mestre Jonas corria por todos os lugares, muitas pessoas aproximavam-se para ouvi-lo, então ele começava:

– O bem maior que o homem deve almejar, é possuir o coração enriquecido pelos bons sentimentos.

Um jovem certa vez perguntou-lhe;

– Mestre como poderei reconhecer se uma pessoa é boa ou má?

Mestre Jonas responde;

– O homem é reflexo do que pensa. O juízo que fazemos das coisas é baseado no que vemos, no nosso próprio conhecimento, em nosso nível de preconceito

O jovem retirou-se pensativo e pôs-se a meditar sobre o que aquilo significaria.

Mestre Jonas quando entrava em uma cidade, procurava uma praça e lá permanecia até que alguém o convidasse para pernoitar em sua casa. Ele aceitava humildemente, porém não aceitava nada mais que o suficiente para manter-se. Nunca trazia dinheiro consigo, não por falta de ofertas; mas para ele dinheiro não tinha valor, não comprava sabedoria, era isso que ele considerava importante.

Certa vez ele falou numa longa palestra sobre o relacionamento entre as pessoas “porque sempre dependemos uns dos outros, o quanto isso importa para vivermos bem”.

– O mundo reage a nossa presença. A maneira que vemos as pessoas, diferente da maneira que somos vistos, daí, da diferença vem a unidade. Somos todos feitos de energia e somos parte de um todo. Se um de nós tem seu ponto de equilíbrio alterado, todo universo é alterado, ás vezes a mudança é imperceptível para nós, mas ela existirá assim mesmo: por isso o homem evoluiu. As nossas escolhas determinam o nosso caminho e o nosso futuro.

Mestre Jonas tinha um discípulo que o seguia por todos os lugares, sempre à distância. Pois o mestre não aceitava ele próprio ser chamado assim; apenas se dizia um viajante andarilho, que buscava o saber.

Pois bem, o jovem discípulo chamado Erik inquiriu o mestre a respeito de como a opinião alheia nos afeta, disse o mestre:

– Palavras são apenas sons. Como alguém poderia te ferir com palavras? O que ouvimos também é interpretado; com a mente limpa você não faz julgamento de ninguém, logo não aceita ser julgado.

Algum tempo depois estava o mestre novamente falando para um grupo de amigos que vieram até ele;

– Mestre – disse um deles – hoje o mundo nos oferece muitos caminhos, muitas opções. Como proceder para não nos perdemos no caminho?

– Mantenhamo-nos firmes em nossa fé, viemos à terra para interagir com todos e participar de seu equilíbrio; sejamos como o pêndulo que pende imóvel, despendamos a energia necessária para nos mantermos íntegros.

Acorriam pessoas de todas as crenças até ele. O homem traz uma necessidade do divino, por isso procura por aqueles que possam desvendar os mistérios da existência. Alguns lhe perguntavam como encontrar Deus, se ele existia verdadeiramente. Mestre Jonas respondia assim:

– A maioria de nós passa a vida inteira e não encontra Deus, só procuramos externamente, seja no alto dos céus, na natureza, nos sentimentos. Esquecemos o principal, que é procurar dentro de nós mesmos. Se formos parte desse Deus que buscamos, deveríamos nos buscar e ao nos encontrarmos encontraríamos o amor, e no amor encontramos a essência de Deus.

Nem tudo na vida de mestre Jonas sempre corria bem. Ao saciar a fome de conhecimento das pessoas desagradava a outras. Alguns que possuíam o conhecimento, mas deixavam o povo na escuridão, tentavam impedí-lo. O mestre não fazia caso deles e continuava sua missão: peregrinando e descortinando os véus do preconceito e do desamor. “conhecimento oculto, verdade escondida de nada valem. Fé, amor, coração, ação, coisas que se completam e nos permitem alcançar o que buscamos”. Dizia ele também:

– Ao homem cabe a consciência de que tudo o que recebe prestará tributo; assim como o que ele provoca. Toda ação impensada provoca desequilíbrio no universo, mas ele sempre volta ao repouso. Frio é bom, calor é ruim; calor é melhor, frio é pior. O homem está sempre interferindo, não deixa Deus agir. Viemos ao mundo como convidados, não nos cabe interferir.

continua…

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5 Comments

  1. Muito bom… nos faz pensar!! Gostaria mto de poder ler a continuação…

  2. ""Verdade escondida de nada vale ""continua …Viemos ao mundo pra construir, e não pra destruir. Não pare por aqui, Mestre Jonas ainda tem muito pra dizer..

  3. Oi Galera tive a ideia de postar aqui o próximo link pra continuar o conto ai vai a próxima parte de O SABIO http://jorgecosta1965.spaces.live.com/blog/cns!A62E62AAFBAB54D!319.entry. Só copiar o link e colar no navegador boa leitura.

  4. Muito bom Jorge. parabéns, vou ler a segunda parte

  5. Jorge…Tens razão… seria maravilhoso adaptar para o teatro esse conto.Beijos


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