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UM AMOR ADOLESCENTE

AMOR ADOLESCENTE

O amor é um instante de glória

Que a filosofia não conseguiu explicar J. Sollo

João apressa-se, já deveria estar na escola há cinco minutos; na pressa ainda deixa cair seu estojo de lápis no chão do quarto, mas nada percebe. “E logo hoje que tinha prova”. D. Ana no carro, impaciente, já buzinava insistentemente.

– Já vou mamãe – João sai todo atrapalhado.

– Você me fará perder a primeira aula menino, se apresse vamos!

Ele entra no carro em silêncio e a mãe parte a toda. D. Ana é professora de matemática da “Templo do Saber” escola em que trabalhava havia alguns anos como professora assistente. Este ano dera sorte e assumira sua primeira turma, por isso estava nervosa e desejosa de que tudo corresse bem.

João estava no segundo ano do nível médio, antes ele estudava em outra escola, mas a mãe “arrumara” uma casa mais perto do trabalho, eles se haviam mudado para ali há pouco tempo. João não gostara muito, pois tivera que deixar seus velhos amigos de desde o primário. Mas agora já era a primeira quinzena de abril, era tempo de pensar nas provas; já fizera alguns novos amigos: César e sua irmã Kátia. Achava-os legais e logo seriam um trio inseparável.

Kátia era gordinha, branquinha como um “biju”, de rostinho redondo, cabelos bem negros e lisos. João achava-a divertida e não parecia perceber que a mesma nutria-lhe mais que simples amizade; mas como era ela bem tímida, não dava mostras do que sentia de verdade. Já César o irmão era o oposto: inteligente e divertido, era um grude só com João. Na compleição física eram parecidos, magros, porém fortes, de estatura alta sendo que João era ainda mais alto e tinha cabelos louros, enquanto César tinha os seus de um castanho escuro.

O pai de João seu Clésio, era arquiteto de uma grande empresa do ramo da construção civil. Ganhara um estágio nos Estados Unidos com duração de um ano. Todos estavam com muitas saudades, mas isso seria muito importante para seu crescimento profissional, e afinal um ano passaria rápido. Isso se deu pouco tempo antes de mudarem-se para a nova casa, como ocorrera pouco tempo desde a mudança, ainda não conheciam quase ninguém. O que os fez ficar mais unidos: mãe e filho.

João meditava todas essas coisas, quando deu por se, já chegavam à escola, beijou a mãe e correu para sua turma, felizmente o professor se atrasara mais que de costume. João procura em seu material febrilmente à procura de seu estojo, o professor já entrara há pouco e já começara a distribuir as provas, seria de português, mas nada do estojo. Ele levanta a cabeça, aflito, quando ouve atrás de si uma voz doce e suave indagando-lhe:

– Você quer uma “caneta” emprestada?

– Sim eu… – enquanto vira-se para responder, João perde a fala. Que “anjo de criatura” já lhe havia visto umas duas vezes, mas de longe. Na turma nunca se haviam falado, ela sentava-se sempre nos últimos bancos, João costumava ocupar os primeiros. Achava que assim ouviria melhor, mas hoje por culpa do atraso nem atentara para isso, mesmo porque estavam quase todos ocupados, sentara-se ali por acaso, mas agora percebia que ventura a sua.

Quem lhe falava era uma “fada de cabelos louros brilhantes e olhos azuis” que pareciam refletir o céu límpido, as faces um pouco pálidas davam-lhe um charme especial, pois contrastavam com seus lábios rubros como a maçã madura. Não usava batom, só um pouco de “blush” e sombra claros. Sua voz era como música de harpas. Tudo isso fez João gaguejar um pouco.

– Eu… Aceito sim, obrigado – e estendeu a mão para receber a caneta, nesse momento seus dedos se tocam de leve, o que sentiram foi uma sensação gostosa, quente, só durou alguns segundos, mas foi o bastante para ambos sentirem um pequeno arrepio. Ela ficou corada, o que a fez ainda mais bela. Para quebrar aquela tensão que se formou João disse:

– Meu nome é João, prazer.

– Eu sei – sorriu novamente – Eu ouvi alguém te chamando assim, o meu é Dara. Nesse momento o professor já estava chamando a atenção deles para o início da prova.

Terminado o primeiro horário, todos saíram ruidosamente para o recreio; João tentou falar com Dara, mas ela saiu com outra garota, pareciam bem amigas. João resignou-se, mas aquela garota havia mexido com ele. Estava pensativo, sentado na calçada, seus dois amigos não haviam comparecido esse dia. A mãe deles estava lhes dando mais um irmãozinho e a casa era só festa, depois ele passaria lá para cumprimentá-los.

-Ei, dorminhoco! – levantou a cabeça e viu o “anjo” novamente ali em sua frente, aproveitou para observá-la melhor. Usava uma blusa preta de helanca com uma flor vermelha próximo ao ombro, uma saia também de helanca rosa, com uma fivela na cintura davam-lhe um charme todo especial; nas orelhas usava brincos grandes que lhe chegavam até quase os ombros. Seu cabelo lindo estava preso em cima por uma tiara. Terminado o exame João levantou os olhos para ela e viu que ela também o observava; as mãos na cintura numa pose graciosa:

– Está gostando do que vê? – brincou ela com um sorriso maroto.

– O quê… Mas eu… Só – João nunca ficara tão maravilhado na vida, nem tão vermelho.

– Calma rapaz – brincou ela novamente – é que na sala a gente não pôde se apresentar direito. João percebeu o quanto estava sendo grosseiro. Aquela criatura linda ali em sua frente e ele sentado como um tolo. Levantou-se num salto.

– Desculpe-me, você deve estar me achando um tolo – e estendeu a mão. Dara apertou a mão dele com sua mãozinha graciosa e trocaram um beijinho no rosto. Então Dara sentou-se perto dele e entabularam uma gostosa conversa como se já fossem velhos amigos. Acontece que Dara também reparara em João, o achara um “gato” com aquele cabelo comprido e um buço que prenunciava um futuro bigode. Estavam assim nesse enlevo quando uma voz os trouxe de volta a realidade.

– Dara, o sinal já tocou, não ouviram? – era a mesma moça com quem Dara saíra no recreio, pensou João.

– Vamos já Maria – respondeu Dara – esse é o João que eu emprestei a caneta, João essa é Maria minha super amiga.

João cumprimentou Maria com um aperto de mão:

– É um prazer te conhecer Maria.

– O prazer foi meu, vamos Dara a aula já vai começar! – e saiu arrastando a amiga pelo braço, que mal pôde se virar para acenar ao novo amigo.

– A caneta! – disse João.

– Amanhã você me devolve – gritou ela de longe e saiu rindo e tagarelando com a amiga. João também nem lembrou que “amanhã” seria sábado, de tão enlevado que estava com aquela criatura. Assim transcorreu o restante do horário, os dois não conseguiram mais prestar atenção às aulas. Trocavam olhares e sorrisos a todo instante, não se davam conta de mais nada à sua volta. No final da aula João tencionava ainda falar com ela. Nunca se sentira com uma garota antes, já havia “ficado” com várias, mas nunca sentira esse calor, essa sensação era nova para ele.

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One Comment

  1. Linda historia de amor juvenil… se bem que amar é bom e essencial em qualquer idade. Experimente ler ouvindo boa música, sugestão: Polonaise in C Sharp minor; Frederic Chopin


2 Trackbacks/Pingbacks

  1. […] Continuação do conto, se vc não leu a parte anterior clique nesse link para ler antes https://jorgeluis30.wordpress.com/2013/02/24/168/ […]

  2. […] Voltando a publicar… vamos a continuação de nosso mini romance, agora entra em cena mas um sentimento o ciúme (nem sempre tempero do amor) Se você ainda não leu nada, clique antes nesse link pra ler o inicio: https://jorgeluis30.wordpress.com/2013/02/24/168/ […]

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