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Alma ExprimidaO dia transcorreu sem mais incidentes. João foi para casa após despedir-se dos amigos, queria ficar sozinho para pensar em Dara. Quem sabe não sonharia outra vez com aqueles olhos, aqueles cabelos… Sentiu vontade de escrever alguma coisa para ela e se houvesse oportunidade queria ficar novamente a sós com ela.

João passou quase o domingo inteiro amassando folhas do caderno. Nada que escrevia o agradava e já estava a ponto de desistir, então lembrou-se que a mãe possuía muitos poemas de sua autoria. Depois de pedir permissão a mesma, ocupou-se nessa tarefa de achar algo que dissesse a Dara tudo o que seu jovem coração estava sentindo. Finalmente encontrou o que buscava e copiou um feito sob medida para ele.

À noite estava vendo TV no quarto, quando a mãe vem chamá-lo, era um telefonema do pai. Chegou à sala em dois pulos apenas.

– Oi pai – falou pegando o fone – Como está por aí?

– Frio, filho, mas estou agüentando bem. O treinamento aqui é puxado, não tenho mesmo muito tempo para sair. Mas e você o que tem feito? João nunca tivera segredos com o pai, foi logo despejando:

– Pai conheci uma garota, parece um anjo! O pai caiu na risada do jeito animado do filho.

– Cuidado rapaz, vá devagar, não se apaixone tão rápido. Tem que saber o que ela sente por ti.

Nesse momento a mãe estava voltando para a sala, por isso João segredou baixinho:

– O nome dela é Dara, depois eu te conto mais. Vou passar para a mamãe. Ele sabia que a mãe deveria estar morrendo de saudade e deixou que ela ficasse a vontade para conversar com o pai e provavelmente chorar depois. Foi ele mesmo para seu quarto pensar em sua fada.

A segunda-feira pela manhã já encontrou João pronto desde cedo. Não agüentava mais de saudade. Ao chegar à escola correu pra sala, esperançoso, mas para sua decepção Dara não havia chegado “será que viria” começou a afligir-se. Deu uma olhada para onde ela sempre sentava. Os lugares pertos já estavam ocupados. Teria mesmo que sentar na frente. Escolheu seu lugar e começou a folhear seu caderno distraidamente, de repente o susto:

– Meu pensador, será que sempre vou te encontrar assim?

João levantou os olhos e… Nossa! Estava ainda mais linda; ficava bem até mesmo naquele blusão da escola que ela achava horrível. Trazia o cabelo preso em um rabo de cavalo que lhe dava muito charme e deixava a mostra os pelinhos da nuca.

– O João! Você não está me vendo aqui não? – ralhou ela.

– Estava te observando, nunca vi coisinha mais linda que você. Dara ficou corada e virou a cabeça para que João não percebesse seu embaraço.

– Posso sentar aqui perto de você?

– Claro guardei essa carteira aqui, só pra você.

– João eu trouxe uma coisa para você, espero que goste. João ficou radiante, não precisava dar-lhe nada, só o fato de ficar ali perto dele já era mais que o suficiente. Dara entregou-lhe um papel cheiroso e dobrado. João desdobrou-o cuidadosamente, era uma poesia. Leu emocionado com o coração pulsando.

INSTANTE

“Meu amor… tanto tempo perdido

Em meu caminhar errante

Mas depois que ganhei teu sorriso

Quis viver

Só me importava esse instante

Pouco a pouco se foi de mim

A tristeza dos meus dias

Luz e música em minha vida

Só encontrei quando foste meu.

Que durem os dias, que pare o tempo

Preciso viver esse instante.

Releu em silêncio enquanto ela o olhava ansiosa, será que gostara do poema? Será que sentia algo por ela? “Ele parece tão distraído, talvez goste daquela amiga da praia”. Dara pensava todas essas coisas, se, todavia simplesmente olhasse nos olhos de João veria ali todo o sentimento dele, então teria certeza que era correspondida.

João olhou nos olhos dela e disse com voz emocionada:

– Eu adorei Dara, é lindo! Eu trouxe um pra você também.

Dara piscou surpresa enquanto João lhe entregava um envelope branco com um papel de carta que “pegara” de Kátia. Dara abriu o papel e viu ali a coisa mais linda que já recebera em toda sua vida.

AMOR ADOLESCENTE

Não sei mais o que é sentir

Tudo o que conheci

Diluiu-se em tua imagem

Perco o tino de mim

Como “títere” me abandono

Em tuas mãos mimosas

De mulher…

No meu peito arde

Confusão e doçura

De coisas que nunca vivi

Quisera voltassem os meus passos

Pudesse eu de novo me achar

Destino eu chamo a esse amor

Que me deixa perplexo

Não deixa minha alma aquietar.

Dara olhou para João, os olhos cheios de lágrimas. Ele jurou pela virgem que se estivessem a sós a teria beijado.

– É lindo João! Lindo, lindo. Ela também gostaria de atirar-se agora em seus braços e beijá-lo. Naquele momento nascera no coração daqueles jovens, amor tão puro como há muito não se via. Seriam um do outro para sempre. Era um destino selado. Um karma divino. Nesse momento de enlevo entra Kátia na sala, ao vê-los sentiu no íntimo o que acontecia e voltou sobre seus próprios passos sem ser vista por nenhum dos dois… (continua)

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