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Voltando a publicar… vamos a continuação de nosso mini romance, agora entra em cena mas um sentimento o ciúme (nem sempre tempero do amor) Se você ainda não leu nada, clique antes nesse link pra ler o inicio: https://jorgeluis30.wordpress.com/2013/02/24/168/amor adoles2

Quando todos saíram da turma viram-se sozinhos, então o sentimento falou mais alto e o primeiro beijo foi inevitável. Somente um roçar breve dos lábios, depois de tantas sensações vividas pelos dois, agora o ápice daquele jovem e promissor sentimento que daí em diante só aumentaria.

Dara separou-se de João perturbada, não levantou os olhos para ele. João aproximou-se dela, levantou-lhe o queixo para olhá-la. Lá nos olhos dele ela viu tanta ternura e amor que não mais duvidou. Estava amando e era correspondida. Maria saíra antes, já sabia que a amiga estava apaixonada, achava João legal via que ela gostava dela também, estava nos olhos dele.

Dara disse a João que fosse à frente, ela iria ao banheiro e o encontraria na cantina, deu-lhe um beijinho rápido e saiu correndo. João estava nas nuvens, correu para o pátio a fim de encontrar César, mas Maria havia chegado antes e César a chamou para um canto, interessara-se por ela desde a praia e agora que a vira sozinha não perdeu a oportunidade. Porém em vão João procurou pelo amigo onde pensara encontrá-lo, mas só encontrou Kátia que o esperava ansiosa:

– João gostaria de falar com você.

– Fala meu “biju” (às vezes ele a chamava assim)

– Não! Aqui não, vem comigo.

– O que foi Kátia? Eu vim atrás de César, mas ele sumiu – Kátia o levou para um canto que tinha uma cobertura ocultando quem estivesse ali, lugar preferido pelos namoradinhos ocasionais. João estranhou a atitude dela:

– O que é Kátia? O que você quer falar comigo? – repetiu.

– João será que você nunca percebeu. Todo esse tempo perto de você, como pode ser tão cego?

– Do que você está falando? – ele realmente não notara o interesse da amiga, que para ele era quase uma irmã.

– Seu burro, eu gosto de você! – esbravejou ela – há muito tempo, será que você é cego?

João estava atônito com o que ouvira, jamais iria esperar por essa… Enquanto pensava sem saber o que fazer Kátia de repente o empurrou contra a parede e o beijou como louca. Ele afastou-se dela com raiva e esbravejou:

– Você tá louca Kátia? Nós somos amigos.

– Eu te amo João – choramingou ela.

– Para Kátia! Eu gosto de Dara. Você é minha amiga. Eu estou apaixonado por ela.

João saiu chateado “o que ela tinha na cabeça” dizer que gostava dele e beijá-lo, não estava entendendo nada. Eles eram amigos desde Janeiro, vizinhos de rua. Foram as primeiras pessoas que conhecera após a mudança. Lembrava-se bem de como ocorreu o encontro. Foi no primeiro dia de aula; ele conheceu César no recreio, este logo apresentara a irmã Kátia. Ele gostou logo dos dois, mas agora aquilo, não sabia como agir.

“Meu ciúme é carregado de zelo por ti

É parte minha que contigo ficou

De saudade minha alma turba, é a esperança

De voltar o que o tempo apagou”

Pedro também não entendia o porquê de Dara não aceitá-lo de volta. Eles namoraram por seis meses, um dia ela o pegou com uma amiga sua a mesma que sempre criava intrigas entre ambos. Naquele dia Pedro estava chateado com Dara e quando Denise apareceu não a dispensou logo. Acabou “rolando” um beijo que Dara presenciou. Depois disso as brigas ficaram mais frequentes e acabaram o namoro “deram um tempo”. Mas ele nunca deixara de gostar dela, esperava reconquistá-la em breve.

Dara e João encontraram-se onde ela marcara; ele meio chateado por conta de Kátia, mas não contou nada para Dara que estava radiante. Ela também já o amava muito não conseguia esconder. De mãos dadas caminhavam pelo pátio quando de repente o inevitável acontece. Pedro os vê junto e parte para cima de João vociferando e gesticulando muito. João pego de surpresa não teve tempo de reagir. Levou um soco no olho o que o fez perder as estribeiras. Cobriu o outro de pancada. Logo juntava uma multidão de alunos. Dara sem saber como agir tentava separá-los; enquanto pedia suplicante aos colegas que a ajudassem, ninguém lhe fazia caso. Finalmente surgiram César e Maria e conseguiram finalmente separar os dois. Dara estava furiosa com Pedro.

– Seu maluco! – gritou – por que você tem sempre que brigar? Só sabe resolver tudo no muque.

– Eu te amo Dara – Pedro estava desesperado – não me deixa.

– Acabou Pedro! Entenda isso. Eu gosto do João, é ele que eu quero, nós não temos mais nada. Deixa-me em paz.

Enquanto discutiam, César procurava tirar João dali. Este tinha o supercílio cortado por onde sangrava um pouco. Maria tratava de acalmar Dara, foi quando apareceu o inspetor de alunos que anotou nome dos três e os levou ao diretor.

Com essa confusão, os pais de Dara, de Pedro e lógico a mãe de João foram chamados à diretoria. Onde ela descobre surpresa que o pai da tal Dara não era outro senão Thiago com quem namorara na adolescência e que a fez sofrer muito por causa dos ciúmes. Ela o amara muito, mas ele a deixara por outra garota. Nunca o perdoara totalmente. Amava o marido, mas a raiva não sumiu totalmente e agora o vendo ali depois de tanto tempo, ainda mais sua filha sendo responsável por seu filho estar sendo advertido. Ela sabia que por ser funcionária da escola isso também refletiria negativamente em seu trabalho.

Mal se falaram; depois de uma breve reunião entre o diretor e os pais dos brigões os mesmos prometeram disciplinar seus filhos. João e Dara não se viram mais depois disso, a mãe apressou-se em levá-lo para casa e ao chegarem despejou:

– Não quero mais que veja aquela garota!

– Como assim mãe? – bradou ele – eu gosto dela, nós não temos culpa, foi ele que começou.

– Não eduquei você para andar brigando na escola por causa de garotas.

– Mas mãe, eu quero ficar com ela, eu não fiz nada só me defendi. Ninguém vai me separar dela – gritou.

A mãe sabia que eles se amavam, vira nos olhos deles enquanto estavam na diretoria. Mas além do ciúme de mãe ainda havia o fato de ela ser filha de Thiago “não admitiria isso” e se ela fizesse seu filho sofrer assim como o pai já a fizera sofrer tanto.

– Não João, não quero saber desse namoro e acabou.

– Não acabou nada! – João estava aos berros – eu amo Dara e a senhora não vai me separar dela – disse isso e foi trancar-se no quarto enquanto deixava a mãe atônita. João nunca lhe falara assim, com tanta raiva, mas seria melhor para ele pensava. João no quarto parecia uma fera enjaulada “o que ela pensava, não iria separá-lo de Dara a mulher que amava”. Sentiu um enorme desejo de vê-la, mas tinha medo que não quisesse falar com ele. Não lhe telefonou por medo do o pai atender e brigar com ela. Decidiu sair de casa, mas não queria passar pela sala e encontrar a mãe. Por isso pulou a janela do quarto e ganhou a rua. Tencionava encontrar César para desabafar com o amigo inclusive sobre Kátia. Mas não o encontrou, rumou então para um boteco, entrou, sentou-se e ficou observando o movimento. Nunca estivera em um lugar assim, mas hoje estava sem rumo. Um garçom aproximou-se:

– Então rapaz, vai querer o quê?

– Me traz um “refri”, um guaraná completou. Quando o garçom já se ia afastando João o chamou de volta, precisava acalmar-se, experimentaria algo mais forte:

– Não esquece o refrigerante, me dá uma cerveja.

O garçom o olhou de cima abaixo, mas foi buscar o que ele pediu. João recebeu a cerveja e em dois goles apenas tomou a metade da garrafa. Tudo o que acontecera nos últimos dias voltou-lhe a mente. Ele ia bebendo distraidamente e quanto mais bebia mais pensava. Acabou a cerveja e pediu outra e outra. Ele pensava em Dara, via-lhe o cabelo louro o rostinho angelical, depois a via chorando… Precisava vê-la. O garçom veio avisá-lo que estava bebendo demais, era verdade ele um rapaz que nunca fora de beber, já havia tomado quatro cervejas.

– O dono disse para eu não atendê-lo mais, por favor, vá para casa.

– Tu…do be..be..bem, vou a outro lugar. Pagou o garçom que havia trazido a conta e levantou-se cambaleando. Não tinha para onde ir. Decidiu ir à casa de Dara, queria ouvir sua voz.

Caminhava tropegamente pelas ruas, às vezes tropeçava em algum rebordo da calçada; estava completamente embriagado. Chegou à casa de Dara e começou a gritar com voz pastosa.

– Dara meu amor, onde você está? Dara! – gritava cada vez mais descontrolado.

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